Caro leitor,
Quando nos foi proposto este programa de reabilitação os seus objectivos foram-nos colocados de uma forma muito objectiva: reconverter um edifício degradado na Rua António Carneiro em habitações de qualidade. No entanto, logo na primeira abordagem verificámos que se o objectivo do promotor não era em si problemático, já o ponto de partida era muito mais interessante do que estávamos à espera. Afinal de contas, não se tratava de um edifício mas de dois: a creche, balneário e cantina da antiga Fábrica Manuel Pinto de Azevedo (Rua do Bonfim) datada de 1918 e o Centro Republicano Democrático do Bonfim, de 1916. Os dois edifícios acabaram por, ao longo dos anos, virem a ser acoplados e ocupados por actividades diversas e, também com o decorrer dos anos, os serviços de apoio da Fábrica Manuel Pinto de Azevedo perderam a ligação física que se fazia pelo interior do quarteirão à Rua do Bonfim. Rapidamente tornou-se claro que tínhamos ali em mãos não apenas um belo edifício com apontamentos arte nova, mas também um edifício expectante que nos reenviava para o imaginário do Porto industrial.
Sentimos, por isso, a necessidade de partilhar essa memória com a comunidade de técnicos ou de simples interessados facultando toda a informação disponível sobre esta intervenção. Mas, este blog é sobretudo um diário de obra onde também se relatarão as várias fases da obra até à sua conclusão, dando especial atenção aos aspectos técnicos ligados à reabilitação, assim como todos os elementos de projecto, elementos recolhidos através de pesquisas no arquivo histórico, entre outros, que julgarmos pertinentes para a compreensão do projecto e da obra propriamente dita. Aliás, esta é uma prática que pretendemos implementar em todos os nossos projectos de reabilitação sobre edificado com interesse patrimonial relevante. Este blog serve, portanto, para partilhar informação relativa à intervenção de reabilitação do edifício e de toda a informação conexa. Um diário de obra aberto e interactivo.
Seja bem-vindo e não se esqueça de nos deixar o seu comentário.
Adriana Floret





Boa tarde.
Tudo o que seja preservar o património da nossa cidade só poderá ser bem acolhido.
Contudo dou uma sugestão quanto ao fim a que se destina a recuperação. Quem hoje percorre o Bonfim não imagina a azáfama de há 100 anos ou mesmo há 50 anos, um ambiente de trabalho e uma zona altamente industrial.
Recordo a imagem da “pedra de armas” da freguesia : as três chaminés activas.
Acontece que ao dia de hoje esta imagem parece não fazer sentido já que tudo o que é fábrica e aparelho industrial desapareceu.
Assim porque não criar um Museu da Indústria Textil, um centro que recordasse a pessoa e a obra de Manuel Pinto de Azevedo, nomeadamente na sua vertente social que estes edifícios em António Carneiro simbolizam ?
Já vemos algo parecido no Norte Shopping e brevemente na Efanor. Mas não esqueçamos que o Bonfim foi a pedra de ensaio que permitiu o desenvolvimento de uma Indústria que finalmente pode olhar para o lado humano.
Que há poucos Industriais como Manuel Pinto de Azevedo, todos o sabemos. É por isso que entendo que a sua memória deve ser preservada. Haverá algo melhor que um museu ainda por cima no local que ele mesmo próprio escolheu e moldou ?
Melhores cumprimentos.
Ernesto Martins Vaz Ribeiro
Gosto do vosso projecto.
Conheço muito bema a ruas e estas casas. Fiz recentemente investigação (mestrado) nesta área, cujo o tema são os “não-lugares na cidade do Porto”.
Vou seguindo atentamente.
Convido-os a visitarem o projecto-site (interactivo):
http://www.nao-lugares.com
Blog:
http://naolugaresnoporto.blogspot.com
Cumps e até breve,
Vítor Tavares